Aprendizagem

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Quando uma dificuldade merece investigação?

     Nem toda dificuldade escolar significa a existência de um transtorno. Algumas dificuldades podem estar relacionadas a fatores pedagógicos, mudanças na rotina, questões emocionais, dificuldades de adaptação, problemas de sono, alterações na atenção ou diferenças no ritmo de desenvolvimento.

     Por outro lado, quando as dificuldades são persistentes, significativas e interferem no funcionamento acadêmico, social ou cotidiano da criança, é importante investigar suas causas.

     Transtornos específicos da aprendizagem, por exemplo, podem afetar habilidades acadêmicas fundamentais, como leitura, escrita e matemática. O DSM-5-TR destaca que esses transtornos envolvem dificuldades persistentes na aquisição e utilização dessas habilidades, não sendo explicados simplesmente por falta de oportunidade educacional ou ausência de ensino adequado (American Psychiatric Association, 2022).

Cada criança apresenta um perfil de aprendizagem

     É comum que pais, professores e até mesmo as próprias crianças estabeleçam comparações: “Ele já lê e ela ainda não”, “o colega consegue fazer sozinho”, “seu irmão aprende mais rápido”.

      Entretanto, diferenças individuais fazem parte do desenvolvimento humano. Crianças podem apresentar diferentes níveis de desempenho em habilidades como linguagem, leitura, escrita, matemática, memória, atenção e raciocínio.

      Isso significa que uma dificuldade em determinada área não representa necessariamente uma dificuldade global de aprendizagem.

      Uma criança pode apresentar facilidade para compreender conteúdos visuais, mas precisar de mais tempo para organizar uma resposta escrita. Outra pode demonstrar excelente raciocínio matemático, mas apresentar dificuldades na leitura. Há também crianças que precisam de mais repetições, instruções mais objetivas ou diferentes formas de apresentação do conteúdo.

      Compreender essas diferenças permite que a intervenção seja mais adequada às necessidades individuais.

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Aprendizagem não é sinônimo de inteligência

     Outro aspecto importante é evitar a associação automática entre desempenho escolar e inteligência.

     O rendimento acadêmico resulta da interação de diferentes fatores. A capacidade intelectual é um deles, mas atenção, memória de trabalho, linguagem, funções executivas, motivação, aspectos emocionais, condições ambientais e oportunidades educacionais também podem influenciar significativamente o desempenho.

     Assim, uma criança com baixo rendimento escolar não deve ser automaticamente considerada menos inteligente. Da mesma forma, um excelente desempenho acadêmico não permite, sozinho, concluir que todas as habilidades cognitivas estejam igualmente desenvolvidas.

     A avaliação adequada deve buscar compreender o perfil de funcionamento da criança, identificando tanto suas dificuldades quanto suas potencialidades.

Antes de comparar, compreenda

Cada criança possui uma trajetória de desenvolvimento marcada por experiências, características individuais, oportunidades e desafios próprios.

Comparar crianças sem considerar essas diferenças pode gerar expectativas inadequadas, sentimentos de incapacidade e uma percepção equivocada sobre suas possibilidades.

Compreender o processo de aprendizagem significa olhar para a criança além da nota, do boletim ou da comparação com os colegas.

Porque, antes de perguntar “por que ela não aprende como as outras crianças?”, talvez seja mais importante perguntar:

“De que maneira essa criança aprende melhor?”

E é justamente a partir dessa compreensão que podem ser construídas estratégias mais individualizadas, respeitando necessidades, potencialidades e o ritmo de desenvolvimento de cada criança.

Quando uma dificuldade merece investigação?

     Nem toda dificuldade escolar significa a existência de um transtorno. Algumas dificuldades podem estar relacionadas a fatores pedagógicos, mudanças na rotina, questões emocionais, dificuldades de adaptação, problemas de sono, alterações na atenção ou diferenças no ritmo de desenvolvimento.

     Por outro lado, quando as dificuldades são persistentes, significativas e interferem no funcionamento acadêmico, social ou cotidiano da criança, é importante investigar suas causas.

     Transtornos específicos da aprendizagem, por exemplo, podem afetar habilidades acadêmicas fundamentais, como leitura, escrita e matemática. O DSM-5-TR destaca que esses transtornos envolvem dificuldades persistentes na aquisição e utilização dessas habilidades, não sendo explicados simplesmente por falta de oportunidade educacional ou ausência de ensino adequado (American Psychiatric Association, 2022).

A importância de compreender o processo

Quando uma criança apresenta dificuldades para aprender, a pergunta não deveria ser apenas:

“Por que ela não consegue acompanhar?”

Uma pergunta mais produtiva seria:

“O que está acontecendo durante o processo de aprendizagem?”

Essa mudança permite investigar aspectos como:

Como está a atenção?

Como a criança compreende e utiliza a linguagem?

Como está a memória de trabalho?

Como ela organiza as informações?

Quais estratégias utiliza para resolver problemas?

Existem dificuldades específicas em leitura, escrita ou matemática?

Como está sua motivação?

Existem fatores emocionais interferindo?

O método de ensino está adequado às suas necessidades?

Quais são suas principais potencialidades?

Esse olhar evita que a criança seja definida exclusivamente por suas dificuldades.

Avaliar para compreender, não apenas para classificar

     Uma avaliação psicológica, psicopedagógica ou neuropsicológica pode contribuir para identificar os diferentes fatores envolvidos no processo de aprendizagem.

      No contexto neuropsicológico, a investigação pode considerar diferentes domínios cognitivos, como atenção, memória, linguagem, funções executivas, habilidades visuoespaciais e raciocínio, além de aspectos relacionados ao desempenho acadêmico.

      O objetivo não deve ser simplesmente produzir uma pontuação ou estabelecer uma comparação entre crianças. O mais importante é compreender como aquela criança funciona, quais são suas necessidades e quais recursos podem favorecer seu desenvolvimento.

      A avaliação também pode ajudar a identificar potencialidades que muitas vezes ficam escondidas quando o foco está exclusivamente no baixo desempenho.

A importância de compreender o processo

      Cada criança possui uma trajetória de desenvolvimento marcada por experiências, características individuais, oportunidades e desafios próprios.

      Comparar crianças sem considerar essas diferenças pode gerar expectativas inadequadas, sentimentos de incapacidade e uma percepção equivocada sobre suas possibilidades.

      Compreender o processo de aprendizagem significa olhar para a criança além da nota, do boletim ou da comparação com os colegas.

Porque, antes de perguntar “por que ela não aprende como as outras crianças?”, talvez seja mais importante perguntar:“De que maneira essa criança aprende melhor?”

     E é justamente a partir dessa compreensão que podem ser construídas estratégias mais individualizadas, respeitando necessidades, potencialidades e o ritmo de desenvolvimento de cada criança.

Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5. ed., text revision. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing, 2022.

BADDELEY, A. Working memory: theories, models, and controversies. Annual Review of Psychology, v. 63, p. 1–29, 2012. DOI: 10.1146/annurev-psych-120710-100422.

BEE, H.; BOYD, D. A Criança em Desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

MALLOY-DINIZ, L. F. et al. Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-11. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2022.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

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